Olá, olá, olá,
Bom dia, bom dia, meu caro leitor!
Sei que meus últimos posts andaram meios "durões", mas confesso que encarei a minha primeira semana sem cigarro e isso prejudicou o pouco de humor que meus leitores encontram aqui. (Pela milésima vez paro de fumar, vou torcer para que não seja a milésima primeira que volto a fumar!) Agora, que o clima cinzento e tenebroso passou, nada como se deter num assunto pra lá de engraçado.
"The office" se passa praticamente inteiro dentro de um escritório, sem absolutamente nenhum recurso dramático e de imagem usual para prender nossa atenção: suspenses, grandes dramas, cenas de ação, efeitos especiais etc. Nada disso você vai encontrar em "The office"
Bom, mas o que prende nossa atenção? Em nossa falsa-humilde opinião, o fato de que os episódios têm sempre uma resolução imprevisível, já que boa parte deles depende da decisão de chefes (durante a maior parte do seriado interpretado por Steve Carrel no personagem Michael) que constatemente submetem seus subordinados a sua mudança de humor, sua vaidade, seus caprichos etc...
Michael é o que pode ter de pior e mais repulsivo em um chefe, incluindo esses adjetivos par falar do seu extremo carisma. Em cada epósido há um climax, um início, um fim ou qualquer outro momento em que ele deixa claro o absurdo na forma como exerce o seu poder. O mais curioso é que, esse chefe-pé-no-saco, esse verdadeiro imbecil, como comenta o próprio ator em entrevista, opera com uma lógica com a qual todos estamos sujeitos a operar se não tentarmos nos distanciar dela. Acompanhar Michel nesse seriado hiper-justo-crítico contribui e muito para isso!
Quero convencer você, meu caro leitor, da minha hipótese de que o bichinho do autoritarismo e do mimo daquela pessoa cujos gestos com mais frequência você abomina, porque de alguma forma tem um lugar da autoridade e poder de decisão sobre partes da sua vida (pais, mães, patrões, treinadores etc.), está dentro de você.
Venhamos e convenhamos... Com certeza já te aconteceu de, num dia inteiro, seu único prazer em estar com outras pessoas tenha sido corrigir alguém quanto ao melhor caminho para o bar, um procedimento, um número ou qualquer coisa ínfima. Sejamos no mínimo razoáveis e sinceros em admitir: quanto maior o desgosto que temos em levantar da cama para ir ao local de trabalho, por exemplo, maior ficam essa pequenas alegrias.
Ora, ora, ora... Quantas vezes nos enfurecemos por termos pego no ar certo deleite, por parte de quem está te corrigindo, ao fazê-lo? É muito bom ser corrigido em algo errado que estamos fazendo e disso depende o aprendizado. Contudo, essa forma de fazê-lo, sem dúvida, desanima e muito (quando não bloqueia) a incorporoção de qualquer saber.
Porém, contudo, todavia... E se esse saber não integrar nenhuma lição? E se esse saber, que tanto prazer o autoritário tem em 'compartilhar', for totalmente arbitrário e, por isso, nunca o conseguimos alcançar? E se a correção for simplesmente absurda?
Hoje em dia já deve haver muito livro de auto-ajuda que ensina a como lidar, por exemplo, com chefes abusivos. E livros de auto-ajuda cuja meta seria apenas e unicamente formar chefes não abusivos? Dá pra entender por que não fizeram, mas convenhamos, ia ser bem terapêutico o surgimento de uma bibliografia ficcional e de todas as áreas dos conhecimento voltada pra o drama de se sentir dezautorizado.
Ah! O mimo... o mimo, o mimo, o mimo! Impor sua vontade, desejos, fantasias com a força é algo que as crianças estão acostumadas a fazer, a força do berro e do corpo que se debate. Como crianças, os mimados merecem sempre um desconto; mas como adultos, são um verdadeiro perigo ambulante a qualquer coletividade!
Michael Scott: Te amamos por te odiar!
Te amamos porque em você reconhecemos nossa vontade de ver a todos dançando conforme nossa música. Em ambientes de trabalho, e aqui em São Paulo são a maioria pelo que ouço dizer, a competição chega a um ponto em que leva-se anos, e anos, e anos, e anos (caso algum dia se consiga) para descobrir que não há um único salção de festas no planeta terra.
Brigar, invejar, disputar, promover intrigar, difamar etc. Quantos vezes não vimos isso ocorrer por causa de um mero grampeador?
É preciso abrir mão da música a ser tocada quando ela está desafinada e, desafino, de modo geral, quem nos avisa são os outros.
PS: Por acaso escrevi esse post uma semana depois que o seriado acabou. Fica aqui minha homenagem ao melhor seriado que já assisti, espero escrever sobre ele outras vezes, pois seus episódios são ricos o bastante para isso.

