Lições de conjuntura nacional - Não seja massa de manobra!


Ola, olá, olá.

Começa agora a série-pequipariu "Lições de conjuntura nacional".

Aproveitando a onda de politização nacional, este blog quer dar sua contribuição com informações básicas sobre o cenário político nacional, bem como sobre a política e o funcionamento do Estado brasileiro de modo geral.

Ninguém precisa virar especialista em nada, no entanto, temos de saber o mínimo para poder entender os noticiários e, principalmente não acreditar neles, já que sua postura nos últimos dias é praticamente-golpista. É a batalha do monopólio da informação contra a internet que nessas manifestações acabou perdendo para ela por reproduzir em larga escala o que o PIG (Partido da Imprensa Golpista) queria.

Primeiramente, é necessário saber que o PIG quer que você seja, de direita ou de esquerda, massa de manobra. Esse termo é usado na política para se referir àqueles que servem aos interesses alheios sem que o saibam. Eles são os famosos inocentes úteis e esses são uns dos qualificativos mais ofensivos na política.

É muito constrangedor lutar por algo que depois descobrimos que estava errado ou não tinha a consequência que você tinha imaginado. No entanto, não podemos ter vergonha de mudar de ideia quando descobrirmos que estávamos  mal informados e equivocados. Mesmo que queiram atribuir à sua mudança de posicionamento um sinal de fraqueza, não deixe, caro leitor! 

Se você muda de ideia com frequência ou ainda não tem opinião sobre um assunto é um direito seu e sinal de que você leva em conta o argumento dos outros, não importa como. O importante é saber escutar, estar aberto e se posicionar sempre da forma que você acha que terá melhor consequência para a coletividade (nada de ficar em cima do muro!).

Ora, ora, ora....

Mas como saber o que é melhor para todos sem estar bem informado? Não existe cultura democrática que não valorize o conhecimento, certo?

Segue abaixo belos esclarecimentos de Sidney Braga sobre os discursos-ignorantes-que-mais-chamam atenção no atual momento.



Oito dicas pra não pagar mico em tempos de Manifestações:


1- Não compartilhe o vídeo dos atores da Globo contra Belo Monte. Esse vídeo de 2011 está cheio de informações falsas. Inclusive alguns atores que gravaram o vídeo se arrependeram depois de descobrir que o que eles disseram não era bem assim.
2- Não diga que foram gastos 30 bilhões em estádios. Na verdade, foram gastos 7 bilhões, que é coisa pra caramba. Desses 7 bilhões, grande parte é emprestado pelo governo federal, mas a maior fatia será paga pela iniciativa privada. Os outros 23 bilhões foram investimentos em infraestrutura, transporte e aeroportos. Inclusive, o investimento em transporte é uma das reivindicações dos protestos.
3- Nunca peça pro governo gastar com saúde o mesmo que se gastou com estádio de futebol. Nos 7 anos de preparação para a Copa, foram gastos aproximadamente 7 bilhões com estádios. Neste mesmo período, foram gastos mais de 500 bilhões com saúde. Então se vc fizer isso, na prática vc ta pedindo pra reduzir consideravelmente os gastos com saúde. Gastos com saúde nunca são demais. Então cuidado pra não pedir a coisa errada.
4- Não peça um presidente pra garantir que algum político seja preso. Isso é papel do poder Judiciário. O manifesto deve ser endereçado a este poder.
5- Não peça um presidente pra impedir a votação de uma lei ou PEC. Isso é prerrogativa do Congresso. O manifesto deve ser endereçado aos parlamentares.
6- Não peça um presidente pra cassar o mandato de algum deputado ou senador. Isso é papel das casas legislativas. Está escrito no artigo 55 da Constituição Federal.
7- Nunca peça pra fechar o Congresso e acabar com os partidos. O último presidente que fez isso foi um Marechal. Tal ato aconteceu em 1968 e foi nada menos do que o temido AI-5 da ditadura.
8- Não compartilhe aquelas informações falsas sobre o auxílio reclusão. O auxílio reclusão é um benefício pago à família do detento que contribuiu com o INSS, logo ele está recebendo um valor pelo qual já pagou anteriormente. O detento deve ser punido, não sua família.

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