Manifestações contra o aumento da passagem - Cultura midiática no país do monopólio


Olá, olá, olá....

De modo algum devemos misturar a legitimidade da pauta de reivindicação da manutenção da tarifa de ônibus com o modo como a impressa lhe dá cobertura. Contudo, o cartaz acima mostra como a cobertura do ato entre numa relação de retro-alimentação com ele e pautas que não têm nenhuma relação com o transporte público começam a apagar aquela que originalmente favorece, basicamente, à população que depende do transporte público.

Todos que tem memória de estar pessoalmente em atos e, principalmente, acompanhá-los pela TV, sempre ouviram a mesma cantilena da imprensa: os manifestantes são baderneiros que iniciam um confronto ao qual a polícia legitimamente reage.

 Agora, é a primeira vez que vejo a imprensa engajada em dizer que houve abusos da polícia. Na verdade, durante duas noites achei que tinha consumido psicotrópicos raros ao ver o Jornal Nacional dar uma cobertura de esquerda para um ato na paulista! Até reconhecer que é hostilizada nos atos pelos manifestantes ela reconheceu!

Ora, ora, ora... Como não tinha tomado nada, resolvi buscar explicações plausíveis e notei que a grande imprensa na televisão, nas três últimas semanas, em que começaram as propagandas políticas na TV, andam se repetindo na tentativa de gerar um clima de caos no país.

Primeiro, elas se iniciaram com os partidos da oposição, em uníssono, dizendo que há uma crise que assola o país e que é caraterizada por: inflação, em especial no setor de alimentos; paralisação e atraso nos portos; despreparo para receber o Papa e a Copa.  No meio disso a quebradeira de agências bancárias por causa da falsa denúncia de que o bolsa-família ia acabar. Eu mesma, que vos falo, vi um comentário numa reportagem do site Folha de São Paulo (ao divulgar posts desse blog), que dizia que naquele dia era verdade, que o bolsa-família ia acabar mesmo.

Hããããã...

Acredito não precisar recorrer à teoria da conspiração porque o Amorim tem muita razão, o PIG (Partido da Imprensa Golpista) faz cada serviço de PIG que, olha! Vou te contar! Ninguém acha no mínimo estranho que um dia a polícia prenda 240 pessoas e em seguida até sentem na avenida com outros manifestantes para apoiar o ato? Quer dizer, primeiro se infla as pessoas a irem as ruas lutarem contra a repressão policial e depois se estende tapete vermelho pra elas protestarem? Como assim?

Não é culpa de quem vai nos atos a apropriação que a imprensa e a oposição fazem, nem se deve deixar de estar presente neles ou apoiá-los por causa disso, pelo contrário. Alckmin dá uma entrevista para a TV e diz, para um senso comum despolitzado, que o ato é político. Bom... se interesse político foi grosseiramente entendido como interesse privado, poderíamos dizer que o único interesse "político" é o seu e o da imprensa, em criar um cenário de caos e descontrole social; e o do PT, em não mexer no lucro dos empresários de ônibus, seus financiadores de campanha.

E pensar que os empresários sempre ganham porque eles financiam as campanhas petistas e tucanas...

Pois bem.

TORÇO para que esse movimento saia vitorioso quanto à tarifa e mais uma vez sejam postos limites para o financiamento de campanha. Quer financiar a campanha de um partido de esquerda? Então sua empresa tem que atender os interesse públicos. Com 10.000 pessoas na rua o PT tem o dever histórico de sentar pra mostrar planilhas não só para  MPL, mas para a máfia-das-empresas-de-transporte!

Contudo, entretanto, todavia...

Na política, quando se é a parte mais fraca, e ela é sempre a população, sempre devemos pensar em nos aliar (ou pelo menos ameaçar) aos inimigos de nosso inimigo. Todo movimento popular sabe que muita coisa se consegue assim. É justo! Só me pergunto até que ponto vale à pena nesse caso porque essa forma de fazer aliança é sempre pra lá de delicada, pra dizer o mínimo.

Nesse sentido, é particularmente crucial manter o movimento na pauta do transporte, porque, de todas as outras que se agregam a ela, só as conservadoras têm tido destaque, em especial, aquelas relativas à imagem de um país capaz de sediar eventos internacionais. Como relataram, na segunda-feira muita gente saiu de casa pra cantar o hino nacional e dizer que o Brasil não devia sediar a Copa. Eu acho que esse pessoal, junto a Glória Kalil que deu dicas de moda para a passeata, devia ficar em casa porque é a cara deles deixar os 3, 20 em segundo lugar!

Essa é a base de apoio do PIG e eu tô fora dela junto com MPL: o problema não é sediar a copa, o problema é o modo de gestão pública. Esse foi a sua resposta no Roda Viva quando vieram com esse papinho. Entoar essa cantilena de "Imagina na copa!" é dar uma de 'tucano-ingênuo-crente-em-manchete-da-folha-e-da-veja que cruz credo'! Pode até ser a sua posição, caro leitor, mas não chame isso de esquerda porque a Veja tá junto com você.

Infelizmente desde o dia 17/06 está começando a parecer aqueles atos da classe média na Venezuela: somos muitos, somos brancos, somos apartidários!

Os atos não começaram assim, mas estão ficando assim.

Mas vamos esperar... Eles acharam que o MPL ia com 100 mil pessoas  pra porta da prefeitura?

Acorda pra vida, tucanada!

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